MICOPLASMA FELINA, SINTOMAS E TRATAMENTO.

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MICOPLASMA FELINA.
MICOPLASMA FELINA.

MICOPLASMA FELINA (ex-Hemobartonelose), é também conhecida como micoplasmose hemotrópica felina-MHFO, ou como anemia infecciosa ou ainda como hemoplasmose).

É o nome que foi dado para as bactérias hemoparasitas gram-negativas com medidas inferiores as apresentadas normalmente por outras bactérias (menor do que 0,2 micra).

É de difícil visualização no microscópico, por mais potente que ele seja, e chegou a ser confundido com fungo daí o nome mico=fungo.

CARACTERISTICAS

Está relacionada à ocorrência de anemia hemolítica e imunodepressão, mas muitos gatos aparentemente sadios, apresentam a doença, revelando a importância e a necessidade da realização do hemograma, para chegar ao diagnóstico precoce.

Estudos tem mostrado que:

– 50% dos gatos com micoplasma são FeLV positivos, denotando a necessidade de sempre fazer o teste.

– 0,4 a 6% ocorre em gatos aparentemente sadios.

– Acomete machos e fêmeas de qualquer raça.

– Está relacionado ao aparecimento de pulgas (verão). Veja artigo sobre PULGA e CARRAPATO neste blog.

– Atinge qualquer faixa etária.

– Mortalidade baixa em gatos imunossuprimidos.

FORMAS DE TRANSMISSÃO

Através de vetores artrópodes:

1 – Pulgas

2 – Carrapatos

3 – Piolhos.

Esse é um dos motivos para não descuidar do controle desses parasitas causadores de várias patologias.

FISIOPATOLOGIA

Parasitando a superfície das hemácias, provocam hemólise e consequentemente anemia, febre, icterícia hemoglobinúria e esplenomegalia.

Na hemólise extravascular as células mais afetadas são os macrófagos e os monócitos do sistema endotelial, provocando a anemia.

Na hemólise intravascular as hemácias são destruídas. 

Há o esforço do baço para retirar e destruir as bactérias da circulação. Daí a esplenomegalia.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:

1 – Febre (39,5 a 40 °C)

2 – Letargia devido a febre.

3 – Mucosas variando de pálidas a esbranquiçadas.

4 – Icterícia evidente no fundo da boca

5 – Hemoglobinúria (urina escura)

6 – Anorexia

7 – Hepatomegalia

8 – Alterações nas células com capacidade fagocitária:  macrófagos, micróglias, células de Kupffer, presentes no sistema retículo endotelial (SRE).

9 – Lipidose hepática (excesso de gordura no fígado) devido ao desequilíbrio entre a entrada e saída de lipídeos de dentro das células do fígado, o que leva ao mau funcionamento dessas células e do trato urinário.

10 – Dispneia- falta de oxigênio provocado pela anemia.

DIAGNÓSTICO

É obtido, principalmente, pelo hemograma através do qual procura-se observar:

1 – Macrocitose – o aumento de células jovens-VCM (volume corpuscular médio)

2 – Hipocromia-diminuição de hemoglobina nos glóbulos vermelhos, ficando as células mais claras e revelando sinais de anemia. CHCM (concentração   de hemoglobina corpuscular média), causada em geral por falta de vitamina B-12 e ácido fólico.

3 – Aumento de reticulócitos ou reticulocitose (são hemácias imaturas, também sem núcleo e com malha reticular de RNA) expressa a produção de novas hemácias na tentativa de corrigir a anemia.

4 – Anisocitose –disparidade no tamanho das hemácias. Aumento de tamanho de forma desigual que ocorre em casos de anemia causada pela deficiência de ácido fólico, anemia hemolítica, anemia ferropriva, anemia perniciosa, anemia falciforme ou pela substância química conhecida como eritropoietina (EPO) que é um hormônio de glicoproteína que controla a eritropoiese ou a produção de células vermelhas no sangue. A produção da EPO é estimulada pela baixa de oxigênio nas artérias renais.

5 – Policromasia-cores variadas das hemácias que decorre a partir do teor de hemoglobina presentes no sangue. Há excesso de coloração, com tendência à cor cinza (nos corantes de rotina hematológica) e é devido a elevada atividade eritropoiética.

6 – Passa a apresentar corpúsculo de Howell-Jolly jovem na circulação. Estes são corpúsculos de inclusão pequeno, basófilo, restos nucleares de mitoses anômalas. São observados em gatos com problemas no pâncreas ou esplenectomizados ou quando em tratamento com vicristina e glicocorticoides (cortisol, cortisona, hidrocortisona, dexametazona, Betametasona, Prednisona, prednisolona).

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

O gato, quando infectado pelo micoplasma apresenta anemia, geralmente grave, com sintomas de fraqueza, cansaço, perda de peso e palidez das mucosas.

O hemograma, que inclui a contagem de células no sangue, é um exame muito comum pois auxilia no diagnóstico de diversas doenças e dentre elas a   micoplasmose.

A presença do parasita no sangue juntamente com outros sintomas associados a anemia pode ser interpretada de maneira positiva, mas um exame negativo não exclui a doença.

COMO FECHAR O DIAGNÓSTICO?

Outros testes podem ser requisitados para fechar o diagnóstico.

1) pesquisa direta do hemoparasita.

2) contagem de reticulócitos para determinar e avaliar a resposta da medula óssea nos casos de anemia e se a anemia é aguda ou crônica.

3) teste de Coombs para confirmação da anemia autoimune e PCR (reação em cadeia da polimerase) que detecta o DNA do parasita no sangue do gato.

É recomendável realizar testes para detecção do vírus FIV e FeLV, uma vez que a presença destes, em geral, pioram o quadro de anemia.

TRATAMENTO

Antibióticos orais ou injetáveis, antianêmicos, vitaminas, minerais e hidratantes são prescritos para curar sintomas e anemia.

Mas é preciso cuidado com o tratamento Doxiciclina genérico não dá uma boa resposta e o ético pode não eliminar o parasita por completo também pode ser necessário a introdução de corticoides (Prednisolona) para auxiliar no tratamento autoimune.

Transfusão de sangue é raramente necessário, mas é recomendável um tratamento suporte com alimentos adequados e fluido terapia endovenosa ou subcutânea (essa está sendo muito usada).

PREVENÇÃO

Procurar manter os gatos dentro de casa e evitar contatos com outros gatos para evitar brigas, controlar pulgas, carrapatos e piolhos.

Gatos positivos não devem doar sangue.

PROGNÓSTICO

É em geral bom, sendo reservado nos gatos positivos para retroviroses. Casos de anemia forte e dispneia intensa, às vezes, leva o animal a óbito.

Todo cuidado é pouco! 

Situações em Medicina Veterinária são muitas vezes complexas, confusas e desafiadoras e só um profissional capacitado, especializado e que busca constantemente a educação continuada, está apto a alcançar resultados satisfatórios e soluções desejadas.

Muito obrigado

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O Blog meu pet saudável foi criado pelo Médico Veterinário Aloízio Apoliano Cardozo, M.S. pela U.F.V. MG, pós graduação em Clínica Médica Cirúrgica de Pequenos Animais pela Qualittas, pós graduação em dermatologia pela Equalis e participação em vários eventos como Congresso, Simpósio, cursos, palestras , dentre outros, promovidos pela Qualittas e ANCLIVEPA. Atuou por diversos anos prestando Assistência Técnica e Extensão Rural, teórica e prática, com metodologia grupal, aos pecuaristas pela ACAR-GO (Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado de Goiás) e EMATER-GO ( Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Goiás). É Diretor do Consultório Veterinário Popular e proprietário de uma loja de Produtos Veterinários: medicamentos, rações, vacinas e acessórios diversos para pet. Trabalhou como voluntário plantonista no Centro de Valorização da Vida (CVV) e no Hospital das Clínicas(HC) da UFG, fazendo palestras para os pacientes, sobre estilo de vida, alimentação saudável e mensagens musicais; participou de vários cursos de dança de salão com professores Jaime Aroxa e Carlinhos de Jesus; foi fundador da Academia de Dança Bolero Passos e Compassos: ministrou curso de dança de salão para pessoas carentes na Paróquia São francisco de Assis contribuindo para um crescimento físico, moral e espiritual. É sócio da Associação Nacional de Clínicos de Pequenos Animais e possuidor do selo de qualidade ANCLIVEPA -BRASIL.

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